
A Andressa, que apresentei no post anterior, resolveu me acompanhar até BH. Ela pretendia ir a um evento da PUC-MG, mas não tinha tanto dinheiro, então veio comigo.
Devido à despedida, acordamos um pouco tarde. Tinhamos feito no dia anterior nossa rota, e descobrimos que tinha ônibus de Salvador para Simões Filho pelo preço normal da passagem urbana de Salvador, R$ 2,00. Acordamos de 8:00 horas ao invés do combinado que era 5:00. Fizemos as malas ainda pela manhã em uma correria doida.



Em Simões Filho, fomos até a BR-324, tentamos algumas caronas, e procuramos um bom ponto, seguimos um pouco a pé até encontrar. E pegamos uma boa carona até Feira de Santana, o nosso motorista tinha nome de Filósofo - Sr. Aristóteles.



Em Feira de Santana, comemos Macaxeira/Aipin/Mandioca (como você preferir chamar) com carne de sharque e suco de umbu (o suco dava pra duas pessoas), o prato estava custando R$ 6,50 e o suco custou R$ 3,00. Não era dos melhores pratos que já comi, estava bastante oleoso, mas deu pra resolver o problema. Lá conhecemos uma figura muito popular naquele posto de gasolina, o Popó! Um cachorrinho que gostou de nós, e começou a nos proteger. Atacava qualquer um que se aproximava de nós. Nos contaram que outra vez levaram esse cachoro embora, e o dono do posto se juntou com vários amigos armados e foram resgatar o cachorro em uma fazenda. Popó era um cachorro de rua, mas disseram que ele é mais antigo do que muitos que trabalhavam alí. Também explicaram que o antigo dono dele era muito rico, e morreu e ele ganhou o mundo, até chegar no posto.

Feira de Santana é um lugar muito central em relação ao Brasil. Lá é uma perfeita encruzilhada, desde os tempos históricos. Tem carro passando pra todos os lugares do Brasil, principalmente em direção Sul. Mas também tem muitos carros em sentido Norte. A grande maioria são caminhões e carretas. Executei minha conhecida estratégia de posto de gasolina - perambular pelo posto afim de ganhar simpatia dos motoristas, e discretamente vou pra a saída do posto, e só então pesso carona e mostro minhas plaquinhas.



Na saída do posto, logo veio um rapaz sem camisa conversar conosco, e fazer algumas perguntas e sorrir bastante pra a gente com bastante simpatia. Ele explicou que era motorista e que ia pra Jequié, e nos levaria caso uma pessoa que ele estava esperando não vinhesse. Aconteceu que enquanto estávamos conversando com esse rapaz, chegou um outro meio curioso e com um fortíssimo sotaque de Santa Catarina. Ele anunciou que nos levaria até onde ele fosse naquele dia. Ele iria pra Belo Horizonte, mas iria pela rota de Montes Claros, portante não servia pra nós que iamos por Governador Valadares. Mas boa parte do caminho poderiamos ir juntos.



Viajamos com o Sr. de Santa Catarina (eu sei o nome dele, mas não vou publicar) a tarde inteira pela Rio-Bahia (nomo pelo qual é conhecida a BR-116). Por sugestão dele E ACEITAÇÃO MINHA, dormimos em um puteiro bastante conhecido na região. O lugar se chamava Melância. Era um vilarejo de prostitutas, com cerca de 8 estabelecimentos dessa categoria. O lugar de início parecia um posto de gasolina pela quantidade de caminhõs estacionado, mas é claro - não tinha bombas de combustível. Quando menos espero, quando estávamos jantando no caminhão, reencontramos o caminhoneiro que ia pra Jequié. Conheci várias prostituas, mas demorei pra entender que eram prostitutas, a minha amita também não entendeu de início, sabíamos que eram puteiros, mas as pessoas simpáticas que conhecemos não imaginamos serem as próprias putas. Até fomos recebido em uma casa de uma família de uma prostitua, com filhos, marido e tudo o mais. O pessoal lá trabalha sério, e por serem prostitutas costumam ser bastante simpáticas. Lá vem profissionais de todos os interiores vizinhos, e a clientela parece ser frequente.




Nosso motorista me explicou que era muito conhecido lá, mas nunca tinha dormindo com ninguém. Ele era realmente muito respeitado, e respeitador. Ele conversava com todas as meninas como se fossem irmãs ou parentes. Teve uma que encarnou em mim, e queria a qualquer custo dormir comigo. Não entendi bem, mas o nosso motorista acabou convencendo uma moça a ceder de graça o quarto que ela dormia, afinal, ela iria trabalhar no balcão a noite inteira, e não ia usar a cama até de manhã. Convenci a dona do quarto a deixar eu levar minha amiga pra lá também, pois ela se sentia mais segura lá perto de mim. Desconfiei que o interesse dela no quarto era dormir comigo.

Pela manhã, nos explicaram que houve uma enorme confusão nos cabarés, e tanto eu e a Andressa, quanto nosso motorista que dormia na carreta, nem se quer ouvimos. A dona do pedaço estava muito eufórica, e desconfiam que ela estava com um espírito chamado 'pombagira'. Ela quebrou vários copos em todos os estabelecimentos, e até mesmo a polícia esteve lá, e apreendeu drogas e foi uma confusão enorme. Eu não percebi nada, dormi e acordei puro e ingênuo. A dona do quarto lamentou um pouco sobre mim para o motorista:
- Esse aqui, a moça passou a noite chamando ele pra dormir com ela, COM TODA BOA VONTADE, e ele enrrolou ela a noite inteira. (sobre a prostituta que me cantou o tempo todo)
- Eu estou cançado, estou vijando....





No dia seguinte, viajamos bastante, até chegar na fronteira de Minas, onde nos separamos do simpático catarinense que nos contou histórias fantasticas sobre caronas e viagens pela Ampérica do Sul. Também foi bastante divertido conversar pelo rádio amador durante a viagem na carreta com ele. Na divisa de Minas, no posto Faisão, fizemos um almoço de luxo, que custou R$ 9,00, e comi o equivalente a almoço e janta. Brincamos um pouco no salão de jogos (em um posto de gasolina, quanto mais você é visto, mais pontos você ganha, basta ser natural e se divertir).





Na saída do posto não demorou muito, um caminhão Truck parou para nós, mas alegou que não tinha espaço na cabine pra duas pessoas e uma mochila tão grande.
- Podemos tentar - eu disse.
E assim seguimos viagem com o Sr. Mendonsa. Um Cearense super simpático e agradável. Bastante humilde. Ficou encantado conosco. E logo mostrou seu gosto músical, defindo por ele como: Um gosto muito jovem pra minha idade. Sr. Mendonsa é fã de clássicos da música pop e rock clássico dos anos 90 e 80. Imagine a trilha de Michael Jackson, Tina Tuner, Pink Floyd, Phill Colins, entre outros. Dançamos o caminho inteiro, mesmo esmagado pelas bolsas, na paisagem impressionante dos picos e pedras enormes da Rio-Bahia no norte de Minas Gerais. Queriamos ir até Governador Valadres, onde iriamos encontrar uma amiga. Sr. Medonsa dormiu conosco no Posto Xeroque. Lá, tomar banho custava R$ 2,00 por 8 minutos. Achei mais prático tomar banho na torneira com um copo, usando um shorte o qual estendi durante a noite. Eu e a Andressa dormimos na minha barraquinha, para no dia seguinte seguir até Governador Valadares.





Pela manhã fomos para Governador Valadares, a 8km do posto, com o Sr. Mendonsa que ia para São Paulo. Em um
outro posto falo sobre essa cidade. Passamos um dia, e dormimos em um posto na saída para Belo Horizonte. Caminhamos bastante, até chegar ao trevo, e pegamos um carro até um posto. O posto era muito fraco, mas lá conseguimos um outro carro, com um policial fora de serviço até Periquito no Posto Periquito. Lá no posto fomos muito bem recebidos pelos funcionários, que até tiraram foto conosco. Isso elevou nosso espírito, e fomos pra a saída do posto. Estávamos tão alto astral, que dançamos, fizemos estripulias, sorrimos, cantamos e quando menos esperávamos, conseguimos um motorista.






Welton era um mineirinho super simpático. Simpático ao jeito clássico mineirinho, quietinho, porém muito sorridente, modesto e humilde. Uma pessoa muito cativante. Que não queria mais que saíssemos da carreta dele. Nos ofereceu carona pra Divinópoles; pra voltar pra Bahia; pra São Paulo; em fim, ele praticamente queria que viajassemos com ele o mês inteiro. Esse caminho foi fantastico, pois subimos serras lindas paralelando com um rio e uma estrada de ferro ao som de Raul Seixas! Provamos pela primeira vez o tal do mixidão, que custou somente R$ 4,00 e foi o nosso 'almoço reforçado'. Chegamos finalmente em BH. Desconfio que o Welton estava pra chorar quando nos deixou... mas provavelmente ele irá me levar pra São Paulo quando eu sair daqui.














